Família acusa negligência após falecimento de recém-nascido em hospital de Rondônia

Família acusa negligência após falecimento de recém-nascido em hospital de Rondônia
Créditos:Gazeta de Rondônia

Um recém-nascido faleceu nesta quarta-feira (25) antes do parto, enquanto recebia atendimento na maternidade do Hospital Municipal de Ji-Paraná (RO). Após a tragédia, o pai da criança apresentou uma denúncia de possível negligência médica e, segundo o boletim de ocorrência, quebrou parte das instalações do hospital. A Polícia Civil ficará encarregada da investigação.

Conforme o relato no boletim, a Polícia Militar foi chamada por volta das 5h15 em razão de uma confusão que ocorreu na unidade, localizada no bairro Dom Bosco. A queixa inicial indicava danos ao patrimônio público e ameaças a membros da equipe de saúde.

No local, os policiais dialogaram com os trabalhadores da maternidade que contaram que o médico que estava de plantão realizava um procedimento de parto quando o bebê não sobreviveu, gerando grande angústia entre os familiares.

De acordo com o registro policial, o pai, ao receber a notícia do falecimento da criança, ficou muito afetado e começou a fazer ameaças aos profissionais de saúde. O médico relatou à polícia que se sentiu ameaçado diante da situação.

Ainda segundo o boletim, durante um momento de descontrole, o homem quebrou uma fonte de água, danificou um cesto de lixo e também provocou danos na porta de vidro da entrada da maternidade.

Após os acontecimentos, ele deixou o hospital e não foi localizado. A polícia fez buscas, mas os familiares não puderam informar onde ele estava. O incidente foi registrado como dano ao patrimônio público e ameaça.

A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias que levaram à morte do recém-nascido e a possível responsabilidade médica mencionada pela família.

O pai contou que sua esposa esperou por atendimento na unidade por várias horas. Ele afirmou que ela chegou por volta das 20h e ficou até aproximadamente 4h30 enfrentando fortes dores e episódios de vômito.

Ele também mencionou que o parto só foi realizado após a ação de uma enfermeira. Em entrevista à Rede Amazônica, o pai acusou a equipe de negligência, afirmando que a lentidão no atendimento contribuiu para a morte do bebê.

“Simplesmente mataram minha filha. [A esposa] ficou 9 horas lá, vomitando e sofrendo muito, gritando”, relatou.

A avó da criança, Sandra Maria, disse que a gestante foi admitida na unidade e permaneceu em observação durante a noite, apesar de apresentar dores intensas e episódios de vômito. Segundo ela, a família acionou a equipe diversas vezes, mas foi informada de que os sintomas eram normais para o trabalho de parto.

“Ela passou a noite toda agoniada, vomitando. Eu percebia que ela não estava bem. As enfermeiras diziam que era normal, que era assim mesmo”, contou.

De acordo com a avó, a situação só mudou após a ação de uma enfermeira, que chamou o médico e levou a gestante para a cesárea.

“Ela [a enfermeira] foi um anjo que apareceu em nossas vidas, e eu acredito que se não fosse por ela, minha nora teria morrido também. Chamou o médico, que imediatamente a encaminhou para a cesárea. O nenenzinho nasceu sem vida”, disse.
Ao discutir a perda, Sandra recordou a expectativa da família em relação à chegada da bebê e as intenções que já tinham sido elaboradas.

“Esperei tanto, tanto pela minha primeira netinha. Hoje era o dia agendado para o nascimento dela, era o dia em que ela viria ao mundo. É inacreditável, realmente inacreditável, eu não consigo aceitar. Eu imaginava minha netinha se movendo de um lado para outro, tinha certeza de que eu deixaria este lugar com ela, mas não vou poder”, compartilhou.

A família declarou que registrou um boletim de ocorrência e está exigindo uma investigação sobre o ocorrido.

O que informou a Secretaria de Saúde local

Conforme o secretário de Saúde de Ji-Paraná, Cristiano Ramos, a mãe foi admitida para supervisão de um parto normal e estava seguindo o protocolo de monitorização dos batimentos cardíacos do bebê. Ele mencionou que, durante a noite, foi notada uma diminuição nos batimentos fetais, que posteriormente cessaram.

“O protocolo para o parto normal exige que a cada duas horas sejam avaliados os batimentos cardíacos fetais. Em um determinado momento, a enfermeira percebeu, durante a madrugada, que os batimentos do bebê estavam diminuindo e, de repente, pararam; foi realizado um ultrassom e constatou-se que realmente os batimentos fetais haviam cessado, o que levou a equipe médica a levar a mãe ao centro cirúrgico”, relatou.

Ainda segundo o secretário, ao fazer a cesariana emergencial, os médicos identificaram um nó no cordão umbilical, o que pode ter contribuído para o falecimento do bebê. Mesmo assim, a secretaria anunciou que uma investigação foi aberta para esclarecer os eventos do caso.

“Neste momento, nossa equipe está compilando toda a documentação necessária para abrir uma investigação que esclareça os fatos e identifique onde ocorreu a falha. Entretanto, tudo parece indicar que, infelizmente, foi uma tragédia”, detalhou.

O prazo inicial para finalizar a investigação é de até 20 dias. A Secretaria também informou que a gestante continua internada e que o caso ainda está sendo investigado.