Justiça decreta nova prisão preventiva de dentista condenado por transmissão intencional de HIV em Porto Velho

Justiça decreta nova prisão preventiva de dentista condenado por transmissão intencional de HIV em Porto Velho
Crédito:Rondoniagora

A Justiça de Rondônia decretou nesta terça-feira (8) uma nova prisão preventiva do dentista Jean José Dunga de Oliveira, que já foi condenado por transmitir intencionalmente o HIV a uma servidora pública em Porto Velho. Nesta nova ação penal, ele é acusado de crimes semelhantes contra outras três mulheres.

A decisão foi proferida pela juíza Keila Alessandra Roeder Rocha de Almeida, que considerou existir risco concreto de repetição das condutas. Segundo a magistrada, o acusado poderia estabelecer novos vínculos afetivos ou sexuais e, novamente, ocultar sua condição sorológica, expondo outras pessoas ao HIV. O processo também envolve acusações de estupro e lesões corporais gravíssimas, no contexto da Lei Maria da Penha.

A denúncia já havia sido recebida pela Justiça, e o Ministério Público solicitou a prisão preventiva alegando a existência de várias vítimas, a semelhança entre os relatos e o risco de novos crimes.

No fim de agosto, Jean havia sido beneficiado por uma liminar concedida em habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO). A decisão determinou a execução provisória da sentença e possibilitou sua progressão para o regime semiaberto, mas ele permaneceu preso.

Justiça aponta risco de novas vítimas

Ao analisar o pedido do Ministério Público, a magistrada afirmou que o risco não estaria limitado às mulheres já identificadas no processo. Conforme a decisão, haveria possibilidade de o dentista iniciar novos relacionamentos e repetir a dinâmica descrita nas acusações.

A juíza destacou que os episódios investigados apresentam características semelhantes, envolvendo a criação de vínculos de confiança ou afetivos e posterior exposição das mulheres a uma doença grave.

Medidas cautelares alternativas à prisão também foram consideradas insuficientes. De acordo com a decisão, proibições de contato e aproximação alcançariam apenas vítimas e endereços já conhecidos. Já medidas como comparecimento periódico e monitoramento eletrônico permitiriam acompanhar a localização do acusado, mas não impediriam o estabelecimento de novos relacionamentos íntimos.

Outro ponto considerado foi a existência da primeira condenação, relacionada a fatos ocorridos em abril deste ano e semelhantes aos investigados no processo atual. A magistrada observou que esses acontecimentos teriam ocorrido depois de Jean tomar conhecimento do procedimento investigatório relacionado ao caso.

A decisão também menciona informações posteriores sobre um novo relacionamento afetivo no qual o dentista teria transmitido a doença a outra mulher. Para a magistrada, a sequência dos episódios reforçaria a existência de um risco atual de repetição das condutas.

Dentista será transferido para unidade de presos provisórios

Com a decretação da prisão preventiva, a juíza determinou que Jean seja transferido da Colônia Agrícola Penal Ênio dos Santos Pinheiro (CAPEP), onde estava cumprindo pena no regime semiaberto, para uma unidade destinada a presos provisórios.

A ordem judicial determina ainda que ele não seja colocado em liberdade sem uma decisão prévia do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, mesmo que eventual decisão em outro processo modifique a situação da custódia atualmente existente.