PF e Ibama destroem dragas avaliadas em milhões de reais durante operação contra garimpo ilegal no rio Madeira
Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resultou na inutilização de dragas utilizadas no garimpo ilegal de ouro no rio Madeira, em Porto Velho (RO), nesta sexta-feira (30). Cada estrutura foi avaliada em mais de R$ 4 milhões.
A ação ocorreu durante a segunda fase da Operação Nêmesis, em um trecho localizado aproximadamente 27 quilômetros acima da barragem da Usina Hidrelétrica de Jirau. As embarcações funcionavam sem autorização para exploração mineral e foram destruídas após as equipes retirarem mercúrio e outras substâncias prejudiciais ao meio ambiente.
Durante a fiscalização, também foram apreendidas armas de fogo e equipamentos utilizados no processo de queima do amálgama, técnica empregada para separar o ouro de outros materiais. Nos equipamentos, foram encontrados vestígios de mercúrio.
Segundo as autoridades, a operação teve como alvo exclusivamente estruturas instaladas em áreas sem autorização para atividade mineral. Locais que possuem títulos minerários e licenças ambientais regulares não foram incluídos na fiscalização.
Para identificar as irregularidades, a Polícia Federal realizou um cruzamento de informações sobre a localização das dragas com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM). A análise confirmou que os pontos fiscalizados não possuíam Permissão de Lavra Garimpeira nem licenciamento ambiental.
Imagens de satélite também demonstraram que as estruturas estavam concentradas no trecho irregular desde abril de 2025. Ao longo dos meses, as dragas mudaram de posição pelo rio, permanecendo fora das áreas autorizadas e causando alterações nas margens.
O porte das embarcações e os investimentos necessários para mantê-las em funcionamento indicam uma estrutura organizada de exploração mineral, com capacidade de extração em larga escala.
Mercúrio foi retirado antes da inutilização
Antes de destruir as estruturas, os agentes recolheram o mercúrio metálico e outras substâncias nocivas encontradas nas embarcações, evitando que os materiais fossem despejados diretamente no rio Madeira durante a operação.
Os produtos apreendidos receberão destinação ambientalmente adequada. As armas e os demais equipamentos também foram recolhidos para os procedimentos legais.
A inutilização das dragas foi necessária porque não havia condições adequadas para transportar ou armazenar as estruturas. A localização acima da barragem de Jirau dificultava o reboque, além da inexistência de espaço apropriado para sua guarda.
A medida encontra respaldo no artigo 111 do Decreto nº 6.514/2008, que permite a inutilização de equipamentos em situações específicas, como impossibilidade de transporte e armazenamento ou quando houver riscos ambientais e à segurança dos agentes públicos.
Garimpo ilegal representa ameaça ao meio ambiente
O uso de mercúrio na extração de ouro representa um grave risco ambiental. Durante o processamento do minério, a substância pode contaminar a água e o ar, acumular-se nos peixes e provocar danos à saúde de comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem do rio Madeira.
A legislação brasileira restringe o uso de mercúrio na atividade garimpeira, e o país também assumiu compromissos internacionais para reduzir e eliminar sua utilização por meio da Convenção de Minamata.
Além da contaminação química, a exploração irregular de ouro provoca assoreamento, degradação do leito do rio e destruição das margens.
As investigações continuam com o objetivo de identificar os responsáveis pelo financiamento da atividade, organização da logística, fornecimento de mercúrio e comercialização do ouro extraído ilegalmente.


