Justiça garante tratamento a adolescente vítima de trabalho infantil em fazenda de Rondônia

Justiça garante tratamento a adolescente vítima de trabalho infantil em fazenda de Rondônia
Crédito:Rondônia em pauta

Um adolescente de 15 anos, vítima de acidente de trabalho enquanto exercia atividade proibida para menores de idade em uma fazenda de Rondônia, teve assegurado pela Justiça o direito ao tratamento médico especializado custeado pelo empregador. A decisão também anulou o pedido de demissão apresentado pelo pai do jovem, que deixou o emprego para acompanhar o filho durante a recuperação.

O caso foi acompanhado pelo Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre (MPT-RO/AC). Segundo o órgão, o adolescente atuava no manejo de gado na propriedade rural, atividade considerada de alto risco e proibida para menores de 18 anos pela legislação brasileira.

Durante o trabalho, o jovem sofreu um acidente que resultou em uma fratura na perna. Com a evolução do quadro, ele desenvolveu osteomielite crônica, uma infecção óssea grave que exige tratamento contínuo, acompanhamento especializado e pode provocar sequelas permanentes, incluindo o risco de amputação.

A 1ª Vara do Trabalho de Porto Velho reconheceu a existência de vínculo empregatício do adolescente e determinou o pagamento dos direitos trabalhistas e previdenciários correspondentes. A sentença também responsabilizou o empregador pelo acidente, obrigando-o a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e custear integralmente o tratamento médico necessário.

No entanto, a discussão sobre o pedido de demissão do pai do adolescente foi levada ao Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região. O MPT argumentou que o trabalhador pediu desligamento em meio ao desespero de acompanhar o filho hospitalizado, situação que comprometeu sua livre manifestação de vontade.

Ao analisar o caso, a 2ª Turma do TRT da 14ª Região reconheceu que o pedido de demissão ocorreu em "estado de perigo", diante da intensa pressão emocional vivida pelo empregado. Com isso, os desembargadores declararam a nulidade do desligamento e reformaram parcialmente a decisão de primeira instância.

Além de garantir a continuidade do tratamento em unidade hospitalar especializada de Porto Velho, a decisão assegurou cobertura para exames, internações, cirurgias, medicamentos e todos os procedimentos indispensáveis à recuperação do adolescente.

O Ministério Público do Trabalho reforçou que atividades como manejo e condução de rebanhos integram a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil e são proibidas para menores de 18 anos. O órgão destaca que crianças e adolescentes submetidos ilegalmente ao trabalho têm garantidos os direitos trabalhistas e previdenciários previstos na legislação brasileira.

O caso volta a chamar atenção para a necessidade de combater o trabalho infantil e fortalecer ações de prevenção, especialmente em atividades rurais de alto risco, assegurando proteção integral a crianças e adolescentes.